| 195

Política inclusiva, ciência e humanismo


Verificando o cenário internacional percebemos a necessidade de uma política internacional inclusiva, ao serviço de todos. Cenário que também exige uma colaboração científica interdisciplinar, sem deixar de fora nenhum tipo de saber.
A ciência e o humanismo devem ser integradas e nunca contrapostas. É urgente uma abordagem sistêmica e exercida no respeito pelo bem comum e pelo ambiente. É fundamental desenvolver uma solidariedade renovada.
O mundo vive atualmente diversas crises humanitárias em diversas áreas do mundo. Apesar dos grandes progressos da ciência. Temos uma crise de saúde com mais de 50 milhões de pessoas infectadas pela pandemia de Covid-19 e mais de um milhão de pessoas perderam suas vidas.
Existe uma crise sanitária que amplificou a crise alimentar, segundo o relatório da ONU intitulado Estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo,em 2019, quase 690 milhões de pessoas passaram fome. O quadro da fome está ligado também à crise ambiental e as alterações climáticas. Segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (Ipcc), meio milhão de pessoas vivem em áreas onde está em andamento um processo de desertificação.
Temos a crise econômica e social agravada pela pandemia. Estas crises estão inter-relacionadas o que nos leva a falar de uma crise sócio-sanitária-ambiental complexa.
A pandemia de Covid-19 pode ser vista como um tempo de remodelação social , um momento unificador que traz a percepção de uma uniformidade de interesses. É um tempo de escolhas, oportunidade de transformação ou também de retirada individualista e de exploração.
Estamos diante de um desafio da civilização em prol do bem comum, de colocara dignidade humana no centro de todas as nossas ações. Somos chamados a mudar de perspectiva, exige uma clareza do tipo de sociedade e economia que desejamos.
Exige-se uma cooperação internacional que reforce sempre o multilateralismo, a promoção do bem-estar social para o bem-comum. A defesa dos ecossistemas, a preservação da biodiversidade, a gestão dos bens comuns globais não podem ser separadas de questões como política e economia e relações sociais. Fundamental um modelo de desenvolvimento global.
Colocar sempre a centralidade da pessoa humana desenvolvendo uma cultura do cuidado em antítese a cultura do descarte. O desenvolvimento verdadeiramente humano deve melhorar a qualidade de vida sustentável para todos.
É preciso investir na educação e na solidariedade para formar novas gerações. A pandemia revelou fragilidades e a necessidade de uma nova solidariedade. Com solidariedade podemos enfrentar as emergências mais terríveis. Isoladamente tudo fica mais difícil mesmo para um Estado-nação.
É preciso sempre criar uma sociedade que promova a educação para o diálogo e que colabore para que todos dêem o seu melhor. Jamais podemos negligenciar a dignidade humana e a ninguém seja negada a esperança de que sempre um futuro melhor possa ser construído.
27.11.2020 Prof. José Pereira da Silva







  • Fontes: PROFESSOR DR. JOSÉ PEREIRA DA SILVA