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A alegria e as fontes de significação da vida

A sociedade tecnológica conseguiu multiplicar as oportunidades para se ter prazer, mas ela tem grandes dificuldades de gerar alegria.
Com efeito a alegria procede de outra fonte. É espiritual e psicológica. O dinheiro, o conforto, a segurança material são importantes, porém não é tudo. Infelizmente a depressão, a tristeza continuam a ser a sorte de muitos.
A alegria tem o poder de alterar a aparência interior das coisas ordinárias, incluindo a nossa própria vida. A alegria é fé, coragem, força, que enobrecem cada homem e tornam possível a reverência a outra pessoa e à vida.
Estes sentimentos às vezes andam a par com a angústia e o desespero, que a despreocupação aparente, os frenesis da vida presente, e os paraísos artificiais não podem mitigar.
A alegria não é a mesma coisa que felicidade. Esta provém de estar feliz por ter aquilo de que se gosta. A felicidade depende de condições felizes, isto é, ter isso ou aquilo, ou comer bem , e portanto sujeita a variar de acordo com estas condições.
A alegria não é a mesma coisa que prazer. O prazer vem das coisas e sempre através dos sentidos. Até um home perverso pode ter prazer. Alegria e prazer são coisas distintas. O prazer é do organismo, a alegria é do espírito. Ambos são legítimos, mas o primeiro chega rapidamente à saciedade; a segunda é mais profunda no sentimento e proporciona o real prazer da vida.
Os sentimentos se exprimem melhor na alegria. A alegria não é algo que se vende. Ela insinua-se na alma quando levamos a sério as fontes de significação da vida.
A alegria é amor e entusiasmo. É caráter firme e independente de circunstâncias externas, de dinheiro, de comida e de outros benefícios e bens deste mundo. Alegria não é sorriso nos lábios, mas sorriso nos olhos e no coração.
Sem dúvida, o principal ingrediente para uma vida feliz é a alegria. Por mais afortunados que sejam as circunstâncias, se não temos alegria, ficamos insatisfeitos. É compreensível, pois, que o fim último de quase todas as nossas iniciativas seja nos sentirmos felizes e que no mercado circule uma infinidade de ofertas que prometem satisfazer a esse anseio.
No turbilhão de opções, devemos reservar um tempo para refletir sobre as fontes da verdadeira alegria. Esta, em contraste com as enganosas propostas hedonistas e com o individualismo estéril que hoje prevalecem, assume o sofrimento, reclama nossa colaboração ativa.
Existe um déficit da verdadeira alegria, a idolatria do poder, do dinheiro, do status não pode proporcionar a verdadeira alegria. E infelizmente muitos tentam inculcar isso às massas. A depressão, que tantas vítimas faz hoje, desmascara aqueles que pretendem apresentar um homem realizado no prazer. Em um mundo cheio de projetos e expectativas, falta o dinamismo próprio da alegria eivada de esperança.
Existem motivos para a tristeza, preocupação e cansaço; mas não podemos deixar de nos perguntar por que acontece isso e olhar para a vida real. Quem procura a alegria, satisfação e paz nos bens terrenos, nas posses, logo cairá vítima da depressão, da angústia e do vazio existencial. Quem busca a felicidade no próprio valor se tornará cada vez mais escravo de sua imagem , do seu eu. A alegria também nasce da libertação da dor psíquica intensa. Sentimento de libertação. Alegria e tristeza andam juntas. Satisfação e prazer não devem ser confundida com alegria. Alegria verdadeira exige está preparado para a tristeza.
Quem busca a felicidade no poder técnico, político e ideológico se tornará incapaz para a verdadeira alegria e paz, pois estas resultam impossíveis onde há inveja e rivalidade.
A alegria verdadeira e autêntica é aquela que vem do espírito; não conhece rivalidades e nem inveja. A pessoa alegre de forma autêntica não se fecha em si mesma: confia nos outros e encontra sua realização compartilhando o que tem e o que sabe. A pessoa embebida nas fontes da verdadeira alegria e felicidade cresce na medida em que compartilha.
Uma das tarefas importantes é a formação para a verdadeira alegria, para se descobrir os caminhos da alegria, sem claudicar diante de certas correntes hedonistas de nosso mundo, que reduzem a alegria ao prazer e à evasão. O prazer e a alegria nem sempre vêm de mãos dadas. Aquele que mata a consciência jamais experimentará a alegria verdadeira.
Prof. Dr. José Pereira da Silva







  • Fontes: PROFESSOR DR. JOSÉ PEREIRA DA SILVA

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