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Votar: ato civil que envolve a consciência moral

O dever eleitoral exige consciência e responsabilidade. A transformação de uma sociedade é um processo contínuo, que exige profundas mudanças culturais e implica a participação de todos. As eleições de dirigentes políticos são uma etapa para fazer avançar esse processo.
Votar deve fazer apela à consciências dos cidadãos! Os cidadãos devem assumir com transparência e compromisso sério, o dever de fazer a melhor escolha, não apenas pensando em si, mas, de maneira forte, no bem comum. É fundamental a formação das consciências para participação. Deve-se votar e votar bem, tendo presente que o voto tem valor, escolhendo com cuidado os candidatos.
A escolha do candidato deve ser feita a partir do seu programa, do seu comportamento ético e de suas qualidades (como honestidade, competência, liderança, transparência, vontade de servir ao bem comum etc). Evitar candidatos comprovadamente inescrupulosos no uso de recursos públicos e envolvidos em corrupção. Escolher candidatos que defendam o imperativo ético da defesa da vida, em cada momento de seu desenvolvimento terreno.
É fundamental resgatar a ética na política e na sociedade. Existe em nossa sociedade uma crise ética. Os fatores da crise ética da nossa sociedade tem gerado a falta de honestidade, a corrupção, o abuso do poder, mas também a deformação e a incerteza das consciências.
Uma ruptura entre o indivíduo, que se fecha sobre si mesmo, e a vida pública e os valores comuns, sobre os quais se ergue a sociedade.
A consciência é uma lei do nosso espírito, mas que o supera, que nos dá ordens, que indica responsabilidade e dever. A ética pública diz respeito à condução da coisa pública, ou seja, à responsabilização do cidadão, dos grupos ou instituições da sociedade pelo bem comum. Votar exige pensar no bem comum. É preciso recuperar o espírito público, seja na administração, seja na vida política. A política deve ser por essência , ética, pois se refere sempre à liberdade e, essencialmente, à justiça.
É preciso recuperar a política o que passa pela formação e pela moralização da política e dos políticos. Hoje existe um descrédito da atividade política e da administração pública. Recuperar a lei como instrumento de justiça.
Votar não pode ser reduzido a mera disputa entre partidos, candidatos, interesses ou ideologias. O voto é uma ato civil, mas também envolve a consciência moral de quem o deposita. O eleitor não deixa sua consciência ética na porta da seção eleitoral.
Toda a política deve ser ordenada ao bem comum e que a consciência não pode deliberadamente escolher aquilo que contradiz princípios fundamentais da ética privada e pública. E ao cristão não é permitido que entregue sua consciência a uma ideologia que negue aquilo que ele professa diante do altar. A vida humana é sagrada e a família não é uma construção descartável como defendem com imenso relativismo certos grupos políticos. A moral não nasce de uma votação e a verdade não muda porque a maioria parlamentar decidiu o contrário. A lei civil não transforma em moralmente bom aquilo que é objetivamente contrário à lei natural e à doutrina cristã.
O bem-comum, além dos valores econômico-sociais, inclui valores mais altos, de ordem cultural e religiosa, sem os quais a realização individual e coletiva dos homens e mulheres ficaria mutilada.
Ao cristão é vedado dar votos a candidatos ou partidos que por seu princípios ideológicos, pelos seus objetivos e processos são incompatíveis com a concepção cristã do homem e da sua vida em sociedade.
Diante de propostas que envolvam aborto, destruição deliberada da vida humana, relativização radical da família, perseguição ou restrição à liberdade religiosa, promoção de ideologias materialistas ou alianças políticas com organizações que tenham por fundamento a hostilidade à religião. Porque a fé e o voto tem consequências!
Santo Agostinho de Hipona (354-430) ensinava que a ordem da sociedade depende, em última análise, daquilo que os homens amam. São João Crisóstomo (+407 D>C) lembrava aos governantes que o poder é uma responsabilidade diante de Deus.
Votar exige formação de consciência reta, discernimento, conhecimentos das propostas e exame da realidade. Não votar de maneira impensada, automática, simplesmente partidária ou meramente emocional. Deve obrigatoriamente examinar, comprara, discernir. Tem escolhas que podem favorecer o bem e outras podem contribuir para sua destruição. O voto é secreto; a consciência não.
É um momento de exercer um direito cívico fundamental, direito que é ao mesmo tempo um gravíssimo dever de consciência, pois se encontra em jogo opções que não só condicionam o futuro da vida brasileira mas ainda a realização pessoal de cada um. Que as eleições decorram em clima de paz, de liberdade e civismo, e contribuam para o bem do povo brasileiro!

Prof. Dr. José Pereira da Silva







  • Fontes: PROFESSOR DR. JOSÉ PEREIRA DA SILVA