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Revisitar sua trajetória de vida : cair em si mesmo.

Quando falamos em cuidar primeiramente pensamos em cuidar do outro, porém existe uma outra dimensão: cuidar de si. Ter a capacidade de acolher-se, cuidar-se até o fim.
Existe um momento da vida de cada pessoa em que ela deve cair em si e revistar sua própria trajetória de vida. Esse revisitar é um momento de encontro consigo, com a sua história, com o seu percurso.
Um momento do sujeito fazer uma experiência com sua história e percurso de vida. Um momento de acesso à sua consciência mais profunda. Essa experiência nutre a vida. Com o passar dos anos restam as vivências. Carl G. Jung ( 1875-1961) dizia: “O importante não ´s ser perfeito, o importante é ser inteiro”.
Revisitar a trajetória de vida implica em olhar para dentro de si. Se escutarmos em profundidade encontraremos muitas perguntas que estão à nossa espera.
Muitas perguntas que encontramos no nosso interior poderia ser resumida na seguinte pergunte: “Qual é meu desejo? Um desejo profundo, que não depende de nenhuma necessidade ou posse, não se refere a um objeto determinado, porém ao próprio sentido.
O desejo não se limita ou se esgota ao consumir, ao ter e sim da nossa realização como sujeitos únicos e irrepetíveis. A pediatra e psicanalista Françoise Dolto (1908-1988) a esse respeito diz: “ quando, como qualquer outro ser humano sentimos um desejo suficientemente forte para assumir todos os riscos o nosso próprio ser. Aí estaremos prontos a honrar a vida de que somos portadores”.
O revisitar a própria trajetória implica olhar para dentre si mesma. E numa certa profundidade encontrar uma dor nunca reparada, um trauma que condiciona toda a vida. Poder identificar essa dor ou trauma é uma condição para sermos nós próprios, tocando a nossa verdade.
É um momento importante da aceitação de si, de suas vulnerabilidades e lacunas que porém permite abrir-se às mudanças de vida, abre-nos à enunciação do desejo. Essa vulnerabilidade revisitada e acolhida abre nossas perspectivas.
Nunca vamos nos livrar da nossa história, porém deve ser revistada sem sofrimento, não pode ser vivida de forma neurótica. Reencontrar de outra forma essa história e de forma mais ampla e satisfatória. O que realmente desejo? Precisamos de tempo de escuta pois as respostas não veem rápidas. Essa resposta vai sendo lentamente construída à medida que o sujeito se empenha em revistar sua trajetória de vida.
O revistar a própria trajetória de vida é deixar de ocupar sempre o mesmo lugar na própria história. É paulatinamente transformar a relação com aquilo que nos determina às nossas próprias custas. É interromper uma repetição cega da mesma história.
Prof. Dr. José Pereira da Silva







  • Fontes: PROFESSOR DR. JOSÉ PEREIRA DA SILVA